O Mestre John Buscema


Foi no tempo de infância que eu comecei a desenhar, mas por brincadeira. Desenhava na maioria caveiras e idiotices da época de escola. Sempre que me perguntavam se eu gostava de histórias em quadrinhos a minha resposta era sempre a mesma negação, pois achava tudo tão infantil mesmo sendo criança.
Então que um amigo trouxe-me a história que mudou o rumo da minha vida “A Espada Selvagem de Conan” nº12, desenhada por John Buscema, com arte final de Alfredo Alcala e argumento de Roy Thomas. Foi o alvoroço artístico inicial na minha concepção de grandeza artistas. Meu entusiasmo foi tanto que eu sequer li a história, apenas fitava cada traço de cada quadro, página a página. Durante a minha infância cheguei a ter todas as HQs do Conan e minha reação não foi diferente a cada nova aquisição. É lógico que li todas as histórias depois, e são não menos interessantes do que os desenhos. Elas fizeram do meu hobby a maior contribuição para o meu aprendizado enquanto desenhista.
Portanto quero iniciar este blog apresentando ao leitor os mestres que me introduziram ao mundo do desenho.
John Buscema


Nascido em Brooklyn, Nova Iorque, John Buscema demonstrou interesse em desenhos desde criança, copiando as tiras de Popeye. Quando adolescente, ele gostou das revistas de super-heróis e tiras clássicas como as de Tarzan e Príncipe Valente de Hal Foster, Flash Gordon de Alex Raymond e Terry e os piratas de Milton Caniff. Outras influências foram as pinturas dos artistas italianos da Renascença, como Michelangelo, Da Vinci, Rubens e Rafael.
Seus estudos de arte tiveram início na High School of Music and Art, em Manhattan, coração de New York. Tão grande era seu interesse pela arte que Buscema, ao mesmo tempo, fez cursos noturnos durante um ano e meio sobre técnicas de desenho no Pratt Institute, e dedicou mais um ano consolidando seu aprendizado no Museu de Brooklyn.

Atento, criativo e insaciável por nova técnicas, Big John (como era conhecido nas rodas quadrinísticas) passou a estudar as obras dos grandes mestres como Da Vinci, Michelangelo e Rubens, tornando-se assíduo freqüentador dos museus de New York, onde podia estudar por conta própria. Sua primeira atuação profissional surgiu em capas de livros, bem como eventuais ilustrações
para revistas das Forças Armadas.
Depois ele acabou fazendo uma série de ilustrações para livros didáticos e numerosos projetos de propaganda para clientes como Eastern Airlines e Seagram Whiskey.
A ascensão meteórica de Buscema na Marvel começou na esteira de seus trabalhos com Hulk e prosseguiu na ascendente com Os Vingadores, Quarteto Fantástico e Thor. Em parceria com seu irmão, Sal, John adquiriu a consagração com sua soberba versão da sentinela do espaço, O Surfista Prateado.

Seu talento de unir o realismo ao romântico o tornara o ilustrador ideal para assumir a já famosa série do bárbaro cimério após a partida de Barry Smith. O toque selvagem que seu estilo emprestou a Conan garantiu sua hegemonia sobre o personagem perante o público, elevando consideravelmente as vendas. Isto se justifica por Buscema confessar que Conan é o personagem que ele mais gosta de desenhar.
Ao se aposentar, em 1996, John fizera mais páginas de Conan que qualquer outro artista que trabalhou no personagem.
Buscema criou um personagem (publicado em uma das revistas do Conan), mas só por diversão, pois não gostava de escrever suas próprias histórias. Grande parte de suas páginas de arte original contém inúmeros esboços e rascunhos no verso, alguns até melhores que a arte publicada, várias foram compilados no recente livro: “John Buscema Sketchbook” (muito bom por sinal).

Não satisfeito em se acomodar às homenagens e à consagração, Big John começa a fazer publicidade e a lecionar num curso sobre a arte dos quadrinhos. Incomodava-o profundamente o fato de não haver oportunidade para o talento amador adquirir uma formação adequada no crescente e cada vez mais sofisticado ramo da ilustração de super-heróis. Ele reviveu o conceito de estúdio, garantindo o surgimento de novos artistas. Os tutores associados de seu curso de doze semanas eram escolhidos entre a nata dos criadores de quadrinhos, e já contaram com a presença de Marie Severin e John Romita entre outros.
Buscema também completou, em colaboração com Stan Lee, um volume para Simon e Schuster, editores, intitulado COMO DESENHAR QUADRINHOS SEGUNDO O PADRÃO MARVEL.
Mesmo após sua aposentadoria, Buscema nunca abandonou totalmente as HQs. John fez vários trabalhos ocasionais, não só para a Marvel como também para a arqui-rival DC Comics, para a qual desenhou uma história curta do Batman e seus últimos trabalhos: Uma história ainda não revelada pela editora e o especial “Imagine Stan Lee Criando Super-Homem”, publicado aqui pela Editora Abril.

John Buscema foi diagnosticado com câncer no estômago e faleceu no dia 10 de janeiro de 2002, aos 74 anos.


Comentários

Artefagia disse…
"The John Buscema Sketchbook"
http://www.megaupload.com/?d=QO7FYK4E
Fonte:
http://scanmaniacs.blogspot.com
Caique Abbud disse…
Olá.

Ótimo post. Bastante completo e esclarecedor. O bom e velho John é e sempre será merecedor de todas as menções e homenagens...

Ótimo blog, a propósito!
Estarei sempre por aqui.
Anônimo disse…
Quem gosta de desenho tem que gostar de John Buscema... Big John... Grande mestre... Bons tempos!!!

Kaco Dias
hay0962br disse…
O melhor ilustrador que o Conan já teve. Ele deu uma personalidade ainda mais forte e imponente ao bárbaro e o agigantou ainda mais com seu imenso talento e conhecimento em anatomia.
John Buscema não será superado tão cedo.
Bom post...!!!

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